quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Cupom Zero de Paul Erdman


Esse livro estava há algum tempo na minha prateleira, comprei-o em uma feira de livros, baratinho. Não conhecia o autor nem o livro, mas me interessei pelo que veio escrito na capa: "thriller financeiro". Nunca tinha ouvido falar nesse tipo de livro, trazendo o mundo financeiro como pano de fundo para o desenrolar de alguma história e como eu gosto bastante de economia resolvi levar.

Paul Erdman nos apresenta a Willy Saxon, um figurão do mercado financeiro americano, que depois de ficar três anos preso por práticas ilegais em Wall Street, decide voltar ao trabalho junto de seu fiél escudeiro Frank Lipper. Saxon é um gênio das finaças e isso fica claro no livro através das inúmeras ideias mirabolantes que ele tem pra ganhar cada vez mais dinheiro no mercado. 

Ele cria uma pequena comunidade num rancho com nerds operando super-computadores que são capazes de prever os movimentos futuros dos mercados mundiais. Apesar de usar métodos não muito éticos ele acaba, dessa vez, conseguindo fazer dinheiro "limpo". Ainda assim, vai acabar encontrando alguns probleminhas até o fim da história.

É difícil não simpatizar com o protagonista logo de cara, ele é um gênio das finanças, ganha muito dinheiro e gasta muito bem, pega todas as mulheres e tem os hábitos mais incríveis da humanidade. Exemplo: "Ele estava preparado para passar o resto daquele tarde da mesma maneira como havia passado todas as tardes de domingo durante os últimos três anos, sozinho, lendo um bom livro". 

A grande maioria dos diálogos do livro é sobre economia, especulação, mercado de capitais, derivativos, ações e tudo o que se relaciona com bolsa de valores. Não é preciso ser economista pra ler o livro, basta ter uma leve noção de economia, nada além do que nos é mostrado nos jornais. Apesar de eu gostar bastante desse tema, em alguns momentos o excesso de termos financeiros me deixou confuso e bastante entediado.

Cupom Zero tem 380 páginas e como a trama é bem ágil e repleta de diálogos a leitura é bem rápida, como assistir a um filme mesmo. O final é um pouco destoante do resto da história e parece que só foi colocado ali porque o autor não tinha muita idéia de como encerrar a história, faltou um pouco de verossimilhança, mas nada que estrague o livro. Leve e divertido, serve como bom entretenimento.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

A estranheza da morte

A cadeira em que se sentava todos os dias ainda continua ali, imponente, como se dissesse - eu já tenho dona, eu pertenço a alguém. Sobre a mesa ainda repousam suas coisas. A agenda desgastada pelo tempo, pelo suor das mãos que a carregava, ainda ontem, para fazer as mais diversas anotações. Alguns livros para consulta. Papéis que guardam sua letra torta. Um barquinho da ultima viagem que fez pra praia. Tudo do mesmo jeito em que deixara no dia em que saiu para não voltar.

As gavetas, ah... as gavetas. Guardam sua alma, o que achava mais importante protegido dentro de caixas de madeira. Como abri-las? Como desproteger suas particularidades? Como vasculhar suas coisas? Tal como uma indigente, como se procurássemos provas contra alguma coisa que tenha feito sendo que seu único crime foi não voltar. Não porque não quis voltar, quis. Mas porque a vida, o destino, Deus, ou seja qual for a explicação, não deixaram.

Como reagir ao saber que aquela pessoa, sim, aquela com quem eu conversei ontem, aquela com quem eu ri ontem, não está mais aqui. Não está e não estará nunca mais. Sinto um frio estranho no peito, uma pequena falta de ar claustrofóbica, o coração desconpassa. Tudo fica meio preto e branco, o silêncio finca dentro do peito, o ar gelado atravessa meus pulmões. Vejo um filme, rápidas cenas dela aqui, agora. Seria tudo isso um sonho ou a mais crua realidade? É difícil se dar conta.

Um estranho crescia dentro dela sem ela saber. Consumia seu corpo, suas forças, sua energia, aos poucos. Traiçoeiro se esbeirava pelos cantos, soturno, silencioso, crescendo, crescendo. Porque ela e não eu ou aquele cara passando ali na rua? Haveria algum motivo para ela ser a escolhida e não outra pessoa? Porque? Será que pode acontecer comigo também? Será que eu poderia evitar?

A sensação de estranhamento me domina o dia todo, não só a mim, mas a todos que perderam uma colega jovem pro câncer. Todos meio sem lugar, meio sem saber o que falar ou como falar. Mas seguimos porque temos que seguir. Ignoramos porque temos que sobreviver. Ainda estamos vivos. O tempo passa, assim como ela passou apressada pela vida, por nossas vidas. E esqueceremos, querendo ou não, esqueceremos. E chegará o dia em que abriremos suas gavetas, mexeremos em seus papéis, seus pertences, esvaziaremos sua mesa, assim como ela esvaziou um pouquinho nossas vidas.

Escrevo este texto em homenagem a uma colega de trabalho que partiu semana passada depois de lutar durante quase um ano contra um câncer raro. Que Deus te leve em paz.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Deus, roubaram meu carro!

Costumo pensar na vida como uma série de tv em que Deus é o roteirista e tudo o que acontece aqui faz parte de uma narrativa maior e com um significado bem definido por ele. De antemão, já digo que esse não é um texto religioso e eu não sou nenhum crente xiita, simplesmente, sinto a presença de Deus tão viva em minha vida que preciso contar minhas experiências.

Talvez, por ser grande fã de histórias em geral, séries, filmes e livros eu acabe transportando esse cenário pra vida real pra explicar o que eu sinto ou não entendo. Tal qual uma série de tv em que cada tomada é planejada, cada cena tem um significado maior, cada locação tem uma simbologia, acredito que tudo o que nos acontece faz parte de alguma coisa, algo que não sabemos ( ou deveríamos saber), mas não conseguimos decifrar, entende?

Acredito que muitos acontecimentos, os banais e também os mais impactantes, são metáforas pra algum recado de Deus pra nós. Quantas e quantas vezes não ficamos em dúvida sobre que caminho seguir, ou temos um sonho, um desejo guardado a muito tempo e não sabemos como colocá-los em prática? Ou então, temos a sensação de que algo vai mal em nossas vidas, mas não temos certeza e acaba faltando coragem de mudar alguma coisa?

Talvez, se pensássemos no quê cada acontecimento em nossas vidas realmente quer dizer pra nós, cada detalhe, cada vírgula, poderíamos aproveitar oportunidades incríveis de mudar tudo sem pensar duas vezes. E falo de coisas triviais como um vizinho que te pertuba há muito tempo ou coisas mais complicadas como perder o emprego, por exemplo.

Semana passada tive meu carro roubado. Carro que venho pagando há muito tempo e com muito esforço. Parcelinha por parcelinha, super suadas pra serem quitadas, foram pelo ralo num piscar de olhos. Mas ao invés de ficar irritado tento ver o que isso realmente significou pra mim nesse momento da minha vida. Lembrei daquela música belíssima do Nando Reis.

"...a falta é a morte da esperança, como o dia que roubaram o seu carro deixou uma lembrança que a vida é mesmo coisa muito frágil, uma bobagem, uma irrelevância, diante da eternidade do amor de quem se ama..."

Em grande parte, minha vida tem girado em torno desse carro nos últimos anos. Fiz dívidas grandes pra comprá-lo, dívidas que pago até hoje e ainda vou pagar por mais alguns anos e por várias vezes me peguei pensando até que ponto estava certo em dedicar quase que todo meu trabalho por um bem material que se desvaloriza a cada minuto, que me traz conforto, é verdade, mas não muito além disso.

Não deveria estar usando esse dinheiro pra comprar, não um bem material, mas bens intangíveis e que fazem muito mais bem pra alma, pra mente? Abdiquei de alguns sonhos em prol desse objeto. Poderia estar fazendo uma boa faculdade, estudando inglês, conhecendo pessoas diferentes, saindo mais no fim de semana, comendo melhor, fazendo meditação, academia, comprando a casa dos meus sonhos, qualquer coisa.

Por muitas vezes pensei em vendê-lo, mas desistia. Agora ele sumiu, simples assim. Ele tem seguro (não pense duas vezes, faça o seguro do seu carro, por favor e obrigado) então, talvez eu tenha parte do dinheiro de volta e minhas dívidas quitadas. E o que fazer com isso? Algo diferente? O que quero dizer é que talvez esse acontecimento tenha sido um recado de Deus pra que eu parasse pra refletir sobre minhas útlimas decisões e o que elas significaram pra mim.

Pode parecer exagero, mas eu realmente acredito nisso. Acredito que é exatamente em aspectos como esse que a vida pode ser alterada completamente. Uma mínima ação nossa, uma pequena decisão que tomamos pode mudar completamente nosso rumo, nossos caminhos. Já ouviu falar no efeito bobeleta? Então! Se pensarmos que tudo a nossa volta tem um propósito maior e tentarmos analisar poeticamente os acontecimentos de nossas vidas possamos ver o dedo de Deus em cada momento, não custa tentar e eu te garanto: a vida fica bem mais leve.


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Dificuldade pra ler? Dicas para ler mais e melhor

Foi em janeiro a última vez que consegui terminar de ler um livro inteiro. Isso mesmo, janeiro. Sim, uma vergonha. De lá pra cá venho tendo dificuldade em passar da metade de qualquer livro que eu pegue. Não que eu tenha tentado muitas opções diferentes, mas nenhuma delas engatou. Parei pra pensar no que estava acontecendo e acabei tentando uma abordagem diferente.

Sabe aquele tipo de livro que funciona pra você? Aquele cuja temática você sempre gosta? Sem chance de erro? Pois é. Pra mim esse tipo de livro é o famigerado romance policial. Uma boa e velha história de assassinato e investigação, mais precisamente qualquer livro da rainha do crime, Agatha Christie. É infalível, basta colocar um enredo dela na minha mão para ser devorado em pouquíssimo tempo.

Na ocasião li "Um Crime Adormecido" (caso da Miss Marple - que eu gosto muito mais que o Poirot diga-se de passagem) que durou pouco menos de uma semana. A estratégia foi engatar leitura num livro que eu sabia que ia ler rápido pra tentar ler outras coisas junto. Parece ter dado certo, já estou lendo outros três livros agora. Dessa confusão toda tirei duas conclusões.

1. Não adianta tentar ler livro que você não gosta só porque todo mundo acha legal. De todas as minhas tentativas frustadas de leitura, achei todos os livros chatíssimos (mas não larguei o osso ainda, vou tentar terminar a leitura a longo prazo), e eis que ao pegar uma história mais interessante a coisa rendeu. Outra conclusão a que cheguei, e essa é meio controversa, prefiro os livros de papel aos ebooks. 

2. Demorei a me render aos ebooks, mas esse ano acabei mergulhando de cabeça. É inegável que o acesso a eles é muito fácil e o acervo muito maior (a internet está aí pra provar). O problema é que eu simplesmente não consigo me concentrar pra ler em telas. Os olhos ardem,  a cabeça dói, as palavras voam pelo ar e eu não me concentro nem com todo esforço do mundo. Pra mim então, só o bom e velho papel.

Não sei se isso se deve ao tipo de tela que escolhi, a dos tablets, que não é muito adequada pra ler. Fora que esse troço é muito grande, pesado e feio pra sair carregando na rua, na hora do almoço, por exemplo, parece que eu tô carregando uma bíblia e indo dar sermão em algum lugar. Já está na minha lista de querencias um e-reader pra esse ano. Tenho a impressão de serem mais discretos, leves e com tela boa pra leitura. Quando fizer meu teste aviso por aqui.

Enfim, se você não está conseguindo colocar suas leituras em dia tente fazer o que eu fiz. Pegue um livro cujo tema você se interesse muito (vale qualquer livro, romances de banca, 50 Tons de Cinza, Harry Potter, não importa) e engate a leitura, aproveite o bom ritimo  e comece e ler mais um livro (com tema diferente e mais complexo junto) um vai ajudando o outro a ser lido. Observe se você não prefere ler em papel do que em telas e principalmente: não leia o que você não gosta ou acha chato só porque todo mundo fala que é ótimo. Leia o que você gosta, o importante mesmo é ler, com o tempo você vai aumentando seu repertório.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Hoje eu tive um dia ruim

Tem dias que são tão pesados que parecem intermináveis, parecem envoltos numa penumbra cinzenta que nos cega e nos abafa os pulmões. É difícil seguir em frente, e sempre que nos movemos escorregamos. Um contratempo, uma desavença qualquer, um erro que toma proporções animalescas. 

Tem dias que são tão pesados que parecem intermináveis, são tensos, tristes, angustiantes. E o pior é não saber o porque. Nesses dias simplesmente acordamos com um pressentimento ruim, uma sensação de incomodo, de sufocamento. Como se fantasmas estivessem em nossa presença e assoprassem em nossos ouvidos maus presságios num sopro frio e bizarro.

Tem dias que são tão pesados que só queremos dormir e torcer pra que o próximo seja diferente. 

Hoje eu tive um dia desses, um dia ruim, daqueles em que tudo ou quase tudo dá errado, em que todos os olhares parecem estar voltados pra você. Talvez tenha acordado com o pé esquerdo, só sei que desde cedo senti o ambiente tenso como se me puxando pra direção contrária de onde queria ir, como se eu devesse recuar.

Um problema, dois problemas, três, quatro. Uma resposta desagradável de alguém que você não esperava, uma risada maldosa, um vizinho chato, um ônibus perdido. O dia ruim é feito de uma sucessão de pequenos desgostos que somados acabam azedando o momento.

E todo mundo tem desses dias em que dá vontade de sair correndo, mudar de vida, mas acho que esses dias são necessários, talvez. Talvez a gente até aprenda alguma coisa com eles, é preciso ver o lado bom das coisas, mas quando a gente tem um dia ruim é difícil.

domingo, 3 de maio de 2015

Geração Superficial de Nicholas Carr


A internet tem, claro, muitos pontos positivos, mas pra quem não sabe usar, o que corresponde a quase todo mundo que a utiliza, pode trazer mais danos que benefícios. Não é difícil ver que a nova geração está cada vez mais distraída e hiperconectada, ou seja, a internet tem lhes tomado tempo de vida que poderia ser melhor empregado fazendo qualquer outra coisa.

Há algum tempo venho querendo ler o livro "Geração Superficial - O que a internet está fazendo com nossos cérebros" do Nicholas Carr porque concordo muitíssimo com o título dele e acho que me confirmaria muitas suspeitas que tenho com relação ao uso da net. Como achar esse livro no mercado brasileiro (aliás, é quase certo que aquele título que você tanto queria já está esgotado ou nem foi traduzido) era praticamente impossível, resolvi buscar resenhas.

Para minha surpresa, a Juliana Gervason (cujo canal no YouTube infelizmente não existe mais), tinha uma resenha completa do bichinho. Resumindo grosseiramente, o livro diz que a internet com toda sua velocidade, múltiplas páginas, vídeos, imagens e links gera um excesso de estímulos ao cérebro (já percebeu que a hora voa quando a gente decide navegar?) que estaria, de certo modo, viciando nossa massa cinzenta, ou seja, qualquer outra atividade paresse chata e monótona pra gente.

Faça um teste, tente pegar um livro difícil de ler tipo "Grande Sertão Veredas" do Guimarães Rosa e le-lô perto de um computador ligado. Não dou nem cinco minutos pra você largar o livro de lado e ir checar emails, facebook ou aquele site de inutilidades gerais. Eu já fiz o teste e fracassei miseravelmente. Como a internet é multitarefa nosso cérebro estaria se fragmentando como a própria internet, dificultando por consequencia permanecer em tarefas contínuas por muito tempo seguido, como ler um livro, por exemplo.

O autor ainda desconstrói um mito muito comum de ser ouvido por aí: a internet incentiva a leitura, afinal, é feita de textos. Quantas vezes você já parou pra ler alguma coisa mais séria, densa e aprofundada na internet? Quantas vezes você já leu uma matéria de cinco, seis páginas sobre um único assunto na net? É praticamente impossível. No meio do texto aparece um link externo sobre um outro assunto e ao clicar nele você vai pra outra página, outra página e outra página até nem se lembrar do que se tratava o texto inicial.

Essa leitura superficial, segundo o livro, estaria nos tornando mals leitores, mals escritores e mals pensadores. Ao ler sobre diversos assuntos diferentes na internet temos a ilusão de estar por dentro de várias coisas, mas na verdade, acabamos não nos tornando especialistas em nada. Jamais uma pesquisa no Google proporcionará o mesmo nível de conhecimento que um livro de 500, 600 páginas sobre o assunto nos traria.

O Google, aliás, é um ótimo aliado da falta de memória, antes precisávamos guardar todo tipo de informação de cabeça porque era inviável pegar um livro, ou o que quer que seja, a todo momento, para relembrar alguma coisa, com o Google disponível no celular, esse esforço praticamente não existe mais, para Carr, estamos treinando nossos cérebros ao esquecimento. Talvez isso explique porque eu esqueço a chave do carro todo dia.

Como disse em outro texto, tenho tentado diminuir o uso da internet na minha vida porque comecei a perceber os danos que ela vinha me causando. Posso dizer que o pouco que consegui reduzir já aumentou minha qualidade de vida. Então, vale a pena pensar se você está fazendo o uso correto dessa ferramenta, garanto que se você parar pra ver suas atividades na net, 80% delas é desnecessária e pode ser excluída de sua vida e empregada pra coisas realmente importantes como ler, estudar, namorar, sair com os amigos, conversar com quem está ao seu lado ou, simplesmente dormir.

domingo, 24 de agosto de 2014

A crise dos 20 (vinte) e poucos anos

Ando passando por uma crise de identidade, acho. Já a algum tempo venho me perguntando, me questionando mesmo, sobre uma série de coisas da minha vida. Muita coisa anda me incomodando, meu comportamento e o comportamento dos que me rodeiam, meus sonhos estagnados, meu emprego, minha vida amorosa, minhas amizades, minha vida intelectual, em suma, tudo. Muita coisa simplesmente não faz mais sentido pra mim.

Conversando com um amigo que está passando por um período de vida parecido com o meu, disse que estamos passando pela crise dos vinte e poucos anos. Então, resolvi dar uma pesquisada no tema e identifiquei cada sintoma da tal crise em mim. E conversando com outras pessoas de idade semelhante percebi que os sintomas também se encaixam.

Todo mundo aqui já assistiu Friends, correto? Aquela série famosa que passava no SBT, aquela dos amigos de vinte e poucos anos que vivem juntos e que enfrentam uns problemas bem parecidos com os que eu descrevi acima. Se não viu, deveria ver, é uma das melhores comédias da tv e fala exatamente sobre essa fase da vida. Então, a música de abertura da série já resume bem a famigerada crise dos vinte e poucos anos. 

"Então, ninguém te disse que seria assim, seu trabalho é uma piada, você está quebrado, sua vida amorosa está morta, é como se você estivesse sempre preso na segunda marcha."


Não consigo expressar melhor esse momento, é aquele em que as nossas decisões vão refletir lá na frente, daqui a dez, quinze anos a gente vai se questionar porque não fez isso ou aquilo antes, daí tanta pressão. Cada escolha que a gente faz é recheada de pura responsabilidade. Ao mesmo tempo parece que a grama do vizinho é quase sempre mais verde que a nossa. Parece que nossos amigos e colegas estão conseguindo muito sucesso em viver, muito mais que a gente mesmo, eles parecem ser mais felizes e com menos esforço.

Muitos amigos do tempo de colégio praticamente sumiram, absortos em suas novas vidas, faculdades, empregos dos sonhos, namoradas. Alguns até se casaram e já tem filhos. Outros simplesmente deram as costas, parecem não fazer mais questão de outra companhia. As vezes a solidão é tão grande que dá vontade de fugir pra outro lugar e não voltar mais, quem está próximo parece não compreender as dificuldades dessa fase.

No trabalho, muitas vezes, penso como o Lulu Santos. "Sei lá, tem dias que a gente olha pra si, e se pergunta se é mesmo isso aí, que a gente achou que ia ser, quando a gente crescer, e nossa história de repente ficou, alguma coisa que alguem inventou, a gente não se reconhece ali, no oposto de um déjà vu". No fim do ensino médio me imaginei fazendo tanta coisa...quase nada se realizou ainda. Mas o que realmente quero da vida? É difícil responder, são poucos os que realmente tem certeza. 


Queremos crescer logo quando somos crianças, mas agora eu queria muito voltar a ser criança, ao menos adolescente, voltar pra escola, assistir aula, jogar conversa fora no intervalo, sair sem rumo depois do sinal, fazer dever de casa. É muita nostalgia de um tempo que não volta mais. Parece que nessa época tínhamos uma intensidade de viver que vai se perdendo aos poucos, o encanto vai se acabando. Me lembro da formatura, tantos sonhos, tantos planos, tanta coisa por viver, tudo parecia ser mais fácil.

Na verdade, agora, tudo parece meio sem direção, meio sem sentido. Parece ser preciso colocar as idéias no lugar, rever prioridades e sonhos, mudar de direção, de atitude. Cheguei em um ponto crítico, em que não posso mais continuar sem algum tipo de mudança. Por mais difícil que seja, muitas vezes, a gente precisa simplesmente seguir em frente, não é fácil, mas preciso. Como diz o Marcelo Jeneci, "felicidade é só questão se ser."