domingo, 12 de janeiro de 2014

Buffy, a caça vampiros

Adeus, Buffy
Há pouco mais de dez dias assisti, num misto de alegria e tristeza, a série que mais me marcou e que se manterá nessa posição pelo resto da minha vida: Buffy, a caça vampiros. Olho pra história, pra esses personagens e pra série com um carinho que sequer consigo descrever. Ao longo dos anos criei um laço tão forte com Buffy que agora, após terminá-la, sinto que uma importante parte de mim se foi.
Apesar de ter terminado de ver essa série com dez anos de atraso, passei a degustar cada uma das últimas três ou quatro temporadas com tanto cuidado que levei exatamente cinco anos pra terminá-la. Minha história com a série começou em 2008 quando a RedeTV a estreou nas tardes de domingo. Lembro-me de ter visto o anúncio, por acaso, no jornal de sábado e me lembrei de ter visto o filme algumas vezes na Sessão da Tarde.
O mais incrível é que havia gostado do filme, apesar de ter sido um fracasso retumbante de crítica e de público quando foi ar, no início da década de 90. Assisti ao primeiro episódio e fui fisgado logo de cara, passei a ver todos os episódios, todos os domingos. Ainda me lembro de trabalhar aos domingos na época – um trabalho bem exaustante por sinal – e me lembrar de que chegaria em casa pra assistir Buffy, deitado no sofá, era um alívio gigantesco.
Buffy continua após o final da série
Muitos devem concordar que a segunda temporada é uma das melhores da série – talvez a melhor – com uma sucessão de episódios geniais, um atrás do outro, a gente chega a ficar doido esperando o próximo. E nossa querida RedeTV, já mostrando sinais de sua seriedade com a programação, nunca exibiu os três últimos episódios dessa temporada. Lembro-me de ter ficado desesperado e inconformado a ponto de mandar emails mal criados para a emissora.
Minha relação com downloads não era nada boa na época, mas decidi passar por cima do meu medo de estar praticando pirataria e ser preso – sim, eu achava que um helicóptero da PF invadiria meu quarto pela janela e me levaria pra um interrogatório violento em Brasília – para ver os episódios. As demais temporadas decidi andar dentro da lei e adquirir os DVDs. E mais uma vez fiquei indignado ao saber que a dona FOX não lançou, e muito provavelmente nunca lançara, as duas últimas temporadas por aqui.
Por tudo isso posso dizer que foi Buffy a série que me fez entrar no mundo das séries de tv, que me fez encontrar os downloads, que me fez passar horas e horas pesquisando sobre ela na internet, que me fez gastar meu suado dinheiro em dvds. Buffy é muito mais que uma série sobre uma garota que caça vampiros, é uma série sobre sentimentos, conflitos, decepções, amores, desapontamentos e principalmente sobre amizade.
Nunca a tv fez um grupo de amigos ser tão real quanto em Buffy. Xander, Wilow, Buffy e Giles estarão pra sempre no imaginário de quem acompanhou a história porque representam nossos amigos, eles agem como nossos amigos, são como eles, aqueles amigos do peito mesmo, que você carrega pro resto da vida, aqueles que você faz no colégio e que ficam com você depois de adultos.
Buffy é uma grande série porque é sobre os conflitos e dilemas que enfrentamos todos os dias em nossas vidas. Buffy mata um demônio em cada episódio assim como nós temos que matar nossos demônios interiores e os demônios que a vida coloca em nossa frente todos os dias pra continuar caminhando. As vezes caimos, nos machucamos, mas nos recuperamos a com ajuda de quem nos ama e voltamos pra batalha sabendo que não será a última, mas apenas mais uma de tantas outras.
Buffy começa a história indignada por não poder ter uma vida normal e ter a responsabilidade de salvar o mundo. Quantos de nós já não nos sentimos assim? Quantos de nós não queríamos apenas viver por viver, deixar a vida nos levar, mas somos tomados por tantas outras responsabilidades? Quantos já não quisemos viver outra vida, ser outra pessoa, ouvir o que os outros pensam, amar sem haver amanhã ou simplesmente sumir do mapa, mudar de nome e esperar as coisas se resolverem sozinhas?
Buffy trata de tudo isso com uma peculiaridade e uma delicadeza difícies de serem vistos em uma série de tv aberta, principalmente teen. Buffy é uma série feita pra adolescentes, mas por sua sagacidade e inteligência destina-se a todos. Todos deveriam ver essa obra que metafora com a vida em cada um de seus vinte e dois episódios distribuídos em sete temporadas. Buffy trata da morte, da sexualidade, da eternidade, da felicidade, do céu e do inferno como ninguém. É uma série completa.

Fez um dos melhores episódios musicais da história, outro completamente mudo – talvez o mais aterrorizante de todos – matou sua protagonista duas vezes, levou-a ao inferno e ao paraíso, a fez matar o grande amor da sua vida e trazê-lo de volta, a fez enterrar sua mãe – o mais lindo episódio de todos – e a salvar o mundo. E assim como na vida Buffy terminou em silêncio, no meio de uma estrada, de um lado a finada cidade em que viveu durante esses sete anos e mudou sua vida, do outro um caminho, um destino qualquer. Uma bela analogia à nossa vida: quase sempre precisamos deixar alguma coisa pra trás e continuar seguindo em frente sem nem ao menos saber o que esperar ou como agir.
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A série terminou em 2003, mas há três anos ela retornou em HQ mostrando os acontecimentos posteriores ao final da série. A Panini chegou a lançar uma parte dos quadrinhos por aqui, mas cancelou pouco tempo depois. Nos EUA elas já vão pra terceira edição e é considerada um sucesso. Minha opinião pessoal? Não gostei muito, prefiro finalizar a série onde ela realmente terminou.
Preparei mais duas postagens sobre a série e vou postá-las nas próximas semanas.
Comprei um livro bastante interessante sobre Buffy e assim que terminar de lê-lo postarei por aqui também.

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