quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Hoje eu tive um dia ruim

Tem dias que são tão pesados que parecem intermináveis, parecem envoltos numa penumbra cinzenta que nos cega e nos abafa os pulmões. É difícil seguir em frente, e sempre que nos movemos escorregamos. Um contratempo, uma desavença qualquer, um erro que toma proporções animalescas. 

Tem dias que são tão pesados que parecem intermináveis, são tensos, tristes, angustiantes. E o pior é não saber o porque. Nesses dias simplesmente acordamos com um pressentimento ruim, uma sensação de incomodo, de sufocamento. Como se fantasmas estivessem em nossa presença e assoprassem em nossos ouvidos maus presságios num sopro frio e bizarro.

Tem dias que são tão pesados que só queremos dormir e torcer pra que o próximo seja diferente. 

Hoje eu tive um dia desses, um dia ruim, daqueles em que tudo ou quase tudo dá errado, em que todos os olhares parecem estar voltados pra você. Talvez tenha acordado com o pé esquerdo, só sei que desde cedo senti o ambiente tenso como se me puxando pra direção contrária de onde queria ir, como se eu devesse recuar.

Um problema, dois problemas, três, quatro. Uma resposta desagradável de alguém que você não esperava, uma risada maldosa, um vizinho chato, um ônibus perdido. O dia ruim é feito de uma sucessão de pequenos desgostos que somados acabam azedando o momento.

E todo mundo tem desses dias em que dá vontade de sair correndo, mudar de vida, mas acho que esses dias são necessários, talvez. Talvez a gente até aprenda alguma coisa com eles, é preciso ver o lado bom das coisas, mas quando a gente tem um dia ruim é difícil.