Ando passando por uma crise de identidade, acho. Já a algum tempo venho me perguntando, me questionando mesmo, sobre uma série de coisas da minha vida. Muita coisa anda me incomodando, meu comportamento e o comportamento dos que me rodeiam, meus sonhos estagnados, meu emprego, minha vida amorosa, minhas amizades, minha vida intelectual, em suma, tudo. Muita coisa simplesmente não faz mais sentido pra mim.
Conversando com um amigo que está passando por um período de vida parecido com o meu, disse que estamos passando pela crise dos vinte e poucos anos. Então, resolvi dar uma pesquisada no tema e identifiquei cada sintoma da tal crise em mim. E conversando com outras pessoas de idade semelhante percebi que os sintomas também se encaixam.
Todo mundo aqui já assistiu Friends, correto? Aquela série famosa que passava no SBT, aquela dos amigos de vinte e poucos anos que vivem juntos e que enfrentam uns problemas bem parecidos com os que eu descrevi acima. Se não viu, deveria ver, é uma das melhores comédias da tv e fala exatamente sobre essa fase da vida. Então, a música de abertura da série já resume bem a famigerada crise dos vinte e poucos anos.
"Então, ninguém te disse que seria assim, seu trabalho é uma piada, você está quebrado, sua vida amorosa está morta, é como se você estivesse sempre preso na segunda marcha."
Não consigo expressar melhor esse momento, é aquele em que as nossas decisões vão refletir lá na frente, daqui a dez, quinze anos a gente vai se questionar porque não fez isso ou aquilo antes, daí tanta pressão. Cada escolha que a gente faz é recheada de pura responsabilidade. Ao mesmo tempo parece que a grama do vizinho é quase sempre mais verde que a nossa. Parece que nossos amigos e colegas estão conseguindo muito sucesso em viver, muito mais que a gente mesmo, eles parecem ser mais felizes e com menos esforço.
Muitos amigos do tempo de colégio praticamente sumiram, absortos em suas novas vidas, faculdades, empregos dos sonhos, namoradas. Alguns até se casaram e já tem filhos. Outros simplesmente deram as costas, parecem não fazer mais questão de outra companhia. As vezes a solidão é tão grande que dá vontade de fugir pra outro lugar e não voltar mais, quem está próximo parece não compreender as dificuldades dessa fase.
No trabalho, muitas vezes, penso como o Lulu Santos. "Sei lá, tem dias que a gente olha pra si, e se pergunta se é mesmo isso aí, que a gente achou que ia ser, quando a gente crescer, e nossa história de repente ficou, alguma coisa que alguem inventou, a gente não se reconhece ali, no oposto de um déjà vu". No fim do ensino médio me imaginei fazendo tanta coisa...quase nada se realizou ainda. Mas o que realmente quero da vida? É difícil responder, são poucos os que realmente tem certeza.
Queremos crescer logo quando somos crianças, mas agora eu queria muito voltar a ser criança, ao menos adolescente, voltar pra escola, assistir aula, jogar conversa fora no intervalo, sair sem rumo depois do sinal, fazer dever de casa. É muita nostalgia de um tempo que não volta mais. Parece que nessa época tínhamos uma intensidade de viver que vai se perdendo aos poucos, o encanto vai se acabando. Me lembro da formatura, tantos sonhos, tantos planos, tanta coisa por viver, tudo parecia ser mais fácil.
Na verdade, agora, tudo parece meio sem direção, meio sem sentido. Parece ser preciso colocar as idéias no lugar, rever prioridades e sonhos, mudar de direção, de atitude. Cheguei em um ponto crítico, em que não posso mais continuar sem algum tipo de mudança. Por mais difícil que seja, muitas vezes, a gente precisa simplesmente seguir em frente, não é fácil, mas preciso. Como diz o Marcelo Jeneci, "felicidade é só questão se ser."








