domingo, 24 de agosto de 2014

A crise dos 20 (vinte) e poucos anos

Ando passando por uma crise de identidade, acho. Já a algum tempo venho me perguntando, me questionando mesmo, sobre uma série de coisas da minha vida. Muita coisa anda me incomodando, meu comportamento e o comportamento dos que me rodeiam, meus sonhos estagnados, meu emprego, minha vida amorosa, minhas amizades, minha vida intelectual, em suma, tudo. Muita coisa simplesmente não faz mais sentido pra mim.

Conversando com um amigo que está passando por um período de vida parecido com o meu, disse que estamos passando pela crise dos vinte e poucos anos. Então, resolvi dar uma pesquisada no tema e identifiquei cada sintoma da tal crise em mim. E conversando com outras pessoas de idade semelhante percebi que os sintomas também se encaixam.

Todo mundo aqui já assistiu Friends, correto? Aquela série famosa que passava no SBT, aquela dos amigos de vinte e poucos anos que vivem juntos e que enfrentam uns problemas bem parecidos com os que eu descrevi acima. Se não viu, deveria ver, é uma das melhores comédias da tv e fala exatamente sobre essa fase da vida. Então, a música de abertura da série já resume bem a famigerada crise dos vinte e poucos anos. 

"Então, ninguém te disse que seria assim, seu trabalho é uma piada, você está quebrado, sua vida amorosa está morta, é como se você estivesse sempre preso na segunda marcha."


Não consigo expressar melhor esse momento, é aquele em que as nossas decisões vão refletir lá na frente, daqui a dez, quinze anos a gente vai se questionar porque não fez isso ou aquilo antes, daí tanta pressão. Cada escolha que a gente faz é recheada de pura responsabilidade. Ao mesmo tempo parece que a grama do vizinho é quase sempre mais verde que a nossa. Parece que nossos amigos e colegas estão conseguindo muito sucesso em viver, muito mais que a gente mesmo, eles parecem ser mais felizes e com menos esforço.

Muitos amigos do tempo de colégio praticamente sumiram, absortos em suas novas vidas, faculdades, empregos dos sonhos, namoradas. Alguns até se casaram e já tem filhos. Outros simplesmente deram as costas, parecem não fazer mais questão de outra companhia. As vezes a solidão é tão grande que dá vontade de fugir pra outro lugar e não voltar mais, quem está próximo parece não compreender as dificuldades dessa fase.

No trabalho, muitas vezes, penso como o Lulu Santos. "Sei lá, tem dias que a gente olha pra si, e se pergunta se é mesmo isso aí, que a gente achou que ia ser, quando a gente crescer, e nossa história de repente ficou, alguma coisa que alguem inventou, a gente não se reconhece ali, no oposto de um déjà vu". No fim do ensino médio me imaginei fazendo tanta coisa...quase nada se realizou ainda. Mas o que realmente quero da vida? É difícil responder, são poucos os que realmente tem certeza. 


Queremos crescer logo quando somos crianças, mas agora eu queria muito voltar a ser criança, ao menos adolescente, voltar pra escola, assistir aula, jogar conversa fora no intervalo, sair sem rumo depois do sinal, fazer dever de casa. É muita nostalgia de um tempo que não volta mais. Parece que nessa época tínhamos uma intensidade de viver que vai se perdendo aos poucos, o encanto vai se acabando. Me lembro da formatura, tantos sonhos, tantos planos, tanta coisa por viver, tudo parecia ser mais fácil.

Na verdade, agora, tudo parece meio sem direção, meio sem sentido. Parece ser preciso colocar as idéias no lugar, rever prioridades e sonhos, mudar de direção, de atitude. Cheguei em um ponto crítico, em que não posso mais continuar sem algum tipo de mudança. Por mais difícil que seja, muitas vezes, a gente precisa simplesmente seguir em frente, não é fácil, mas preciso. Como diz o Marcelo Jeneci, "felicidade é só questão se ser."



domingo, 27 de julho de 2014

O Encantador da Montanha de Eduardo Moreira


Sempre tive problemas com auto ajuda e palestras motivacionais. Acho que não existe uma série de regras ou leis a serem seguidas pra encontrar a felicidade. Não existe uma bula ou um manual ensinando a ser feliz. Isso nunca existiu pra mim. Cada um vive à sua maneira, cada um tem um jeito de viver e de ser feliz, encontrar a felicidade é algo muito particular, é uma experiência individual, não pode ser ensinada a ninguém. Esse meu problema com esse tipo de literatura se tornou ainda mais latente quando terminei de ler O Encantador de Montanhas (Eduardo Moreira - Record - 159 pgs).

O livro começa com uma apresentação um tanto duvidosa, nela o autor conta que escreveu o livro aos dezessete anos - o que talvez explique a escrita quase infantil - através de sonhos que teve, tais sonhos viam prontos, inclusive com nomes de personagens e lugares. Conta ainda que algum tempo depois de escrever a história viria a descobrir, por acaso, que a montanha do livro existia de verdade e que ele já havia a visitado sem saber que se tratava do mesmo local de sua história. Esse é só um dos relatos "mágicos" da apresentação do livro.

Que me perdoem os fãs do autor, mas eu não engoli essa história fantasiosa nem por um minuto e ela ficou engasgada na minha garganta durante toda a leitura do livro provocando, na maior parte do tempo, uma certa desconfiança com a história desenvolvida. Mais tarde vi um vídeo do autor em que ele conta as mesmas abobrinhas e minha impressão não mudou, trata-se de um ótimo contador de histórias e um ótimo vendedor. Não por acaso ele parece fazer bastante sucesso entre os leitores brasileiros que adoram um bom e velho livro de auto ajuda.

Repleto de temas clichês, é possível adivinhar as próximas palavras de cada capítulo do livro. Apesar disso, é possível tirar alguns bons ensinamentos ao final da leitura e o último capítulo, com clima de despedida, acaba emocionando o leitor. A principal mensagem da narrativa é o contato com a natureza, através dela seria possível tocar a alma do mundo. Nesse ponto não posso concordar mais com o autor, só quem já experimentou essa sensação de plenitude é capaz de dizer como é confortante. O livro traz ainda ensinamentos sobre meditação, paz interior, medo, amor e solidão.

Apesar de ter tirado algumas coisas boas do livro, tenho um sério problema com esses "palestrantes motivacionais" que prometem mudar a vida das pessoas através de uma fórmula mágica que descobriram de um jeito "x" em suas vidas. Cada um leva a vida como pode, ninguém sabe mais que outro sobre como viver a vida de uma forma mais correta. Não existe fórmula pra isso. Esses ensinamentos são muito bonitos, mas na vida real é impossível aplicá-los a todo momento.

Me incomoda as pessoas que querem de alguma forma dizer como as outras devem viver suas vidas, como se fossem muito sábias, como se tivessem um poder extra terreno ou como se tivessem vivido mais e mais intensamente que o restante pra saber tais fórmulas mágicas. Isso não se aplica só a livros de auto ajuda, eu também me incomodo com palestras motivacionais, lições de vida de qualquer tipo, líderes religiosos que gostam de impor uma série de regras pra alcançar a felicidade - leia-se salvação.

Se me permitem, aqui vai uma regra/lição e vida: não procure regras pra ser feliz, apenas viva, no caminho você certamente vai achar suas respostas. E eu achei mais uma hoje, livros de auto ajuda não são pra mim.

domingo, 20 de julho de 2014

O Sal da Vida de Françoise Héritier


Terminei de ler essa semana o simpático "O Sal da Vida" de Françoise Héritier, famosa antropóloga e etnóloga francesa, em seu primeiro livro do tipo romance. O livro é bem diferente de todos que já li. São cartas cheias de citações do que é, pra ela, autora do livro, o sal da vida, da sua vida em particular. E o mais surpreendente e gostoso do livro é que não são grandes feitos, grandes realizações. São coisas simples, do dia a dia, mas que fazem toda a diferença quando tratadas com outro olhar.

Exatamente por essa simplicidade o livro é tão gostoso de ler, quase como deliciar-se com uma torta de morangos silvestres num fim de tarde de sábado. É impossível não pegar-se rindo ao ler um ou outro trecho ou ainda lembrar-se de alguma situação parecida que também tenha lhe ocorrido. Diz ela: "nada disso [o que ela diz ser o sal da vida] é uma coisa de outro mundo [...] o que sou eu além das definições exteriores que podem dar de mim [...] o eu não é somente aquele que pensa e que faz, mas aquele que sente e que experimenta".

Ao final do livro ela deixa algumas páginas em branco para que o leitor possa escrever o que pra ele é o sal da vida. Então, vou fazer isso por aqui e recomendo muitíssimo que todos o façam  também porque é um exercício delicioso e um pouco viciante.

Observar as pessoas andando na rua pela janela do ônibus, voltar a pé pra casa no meio da noite ouvindo uma boa música nos fones de ouvido, acordar atrasado todo dia e prometer que no dia seguinte será diferente, fazer um caminho alternativo ao usual, esquecer se realmente trancou o carro depois de várias horas estacionado e voltar pra conferir, roubar salgadinhos de uma reunião a qual você não foi convidado, terminar de fazer aquela pilha de serviço que se acumulava ao longo da semana na hora exata de ir embora, planejar pra onde viajar nas férias, fechar a porta de casa e ir pro aeroporto, sentir-se triste ao perceber que as férias acabaram e que você está de volta à sua realidade.

Prometer a si mesmo não comprar mais nenhum livro ou dvd nos próximos meses e quebrar a promessa no dia seguinte diante de uma promoção que só você acha incrível, perder a hora navegando na internet, admitir pra si mesmo que está apaixonado, cantar no chuveiro, comer um doce depois de muito tempo sem comer um, ficar lendo até de madrugada e mesmo morrendo de sono assistir a um filme depois, escrever e achar que o texto está bom sem precisar de nehuma correção, esperar ansiosamente pelo episódio da próxima semana de uma série qualquer, ir ao cinema e sair tonto de lá, encontrar-se com os amigos de infância e ficar horas jogando conversa fora, parar no frio gelado da madruga na beira de uma estrada pra tomar um café antes da partida do ônibus.

Chegar cansado do trabalho e assistir a um episódio daquela série que você adora e sentir-se renovado, acordar no sábado de manhã e ter a sensação de que terá tempo pra fazer tudo o que precisa ser feito, sentir um turbilhão de emoções ao ouvir uma determinada música, chorar como uma criança ao terminar um livro triste, sentir o cheiro do café enquanto ele escoa pra dentro da garrafa, descobrir que algúem comentou alguma coisa no seu blog, descobrir que alguém que você nem imaginava está apaixonado por você, não entender nada daquele filme ou livro que te indicaram e se achar a pessoa mais burra do mundo, ser reprovado oito vezes no exame de direção e passar no dia em que a sua pauta está vencendo.

O livro é assim mesmo como escrevi acima. Não existe uma lógica certa. Como diz a própria autora: "o que se segue é uma enumeração, uma simples lista, numa única grande frase, que me veio assim, só, intermitente, como um longo monólogo murmurado. Trata-se de sensações, percepções, emoções, pequenos prazeres, grandes alegrias, às vezes profundas desilusões e mesmo dores". 

Vale cada minuto da leitura e ainda serve como reflexão. Cada minuto de nossas vidas, mesmo que pareça apenas mais um é repleto de significados que só poderão ser entendidos e apreciados, muitas vezes, mais tarde. 

domingo, 23 de março de 2014

Lepo Lepo, Beijinho no Ombro e a cultura no Brasil

Não é recalque, Beijinho no Ombro é ruim pra caramba

Na última semana dois acontecimentos me levaram a fazer alguns questionamentos que quero debater aqui. Primeiro vou citar os acontecimentos.

1) Cláudia Croitor, autora de um blog de séries americanas que eu acompanho, recebeu o seguinte comentário em uma de suas postagens: ""BRASIL, mostra a tua cara, quero ver quem paga, pra gente ficar assim?! Brasil qual é o teu negócio, o nome do teu sócio?! Confie em mim !" Essa música cabe direitinho na coluna dessa jornalista, como ela gosta de enaltecer a cultura estadunidense, ela quer empurrar na nossa goela, o cotidiano da sociedade americana, acorda sua burguesinha de meia tigela! nossa realidade é outra."

2) Comentei com alguns amigos nunca ter ouvido a música "Lepo Lepo" e pareço os ter ofendido, ficaram bravos, quase ofendidos, perguntando em que mundo eu vivia por não ter ouvido essa música durante o carnaval.

Os dois acontecimentos parecem não ter relação um com o outro, mas tem. A questão da cultura no Brasil. Algumas vezes me pergunto qual é a produção cultural em nosso país nos dias de hoje e na maioria das vezes me respondo, não há. Juro que tenho boa vontade e que tento respeitar a opinião alheia, mas é difícil concordar que o país que tem "Lepo Lepo" como principal hit e "Beijinho no Ombro" como segundo colocado tenha alguma coisa boa a oferecer.

Na televisão aberta nem me atrevo a tentar encontrar alguma coisa boa pra assistir. Não sei se prefiro ver novela da rede globo ou novela mexicana do SBT, jornal de tragédia ou jornal água com açucar da globo, talvez deva escolher alguma coisa entre o programa do Rodrigo Faro e do Gilberto Barros ou do Faustão e da Eliana! Sério, tenho muita vergonha da nossa tv aberta que só produz porcaria, salvo raras excessões.

Nas telonas a coisa parece ser ainda pior, nossas produções são terríveis, ou mostram a "realidade brasileira" através de favelas, ou é alguma comédia de quinta categoria. Alias, não consigo pensar em nenhum comediante realmente bom atualmente. E não venham com o pessoal do Porta dos Fundos e similares porque acho que a comédia que eles fazem só funciona pra internet. Também não citem Zorra Total ou A Praça é Nossa, tais programas já deviam ter sido banidos a muito tempo.

E em matéria de livros? Qual o nosso principal autor no momento? Augusto Cury com sua auto ajuda de boteco é um dos únicos autores brasieliros que figuram nas listas dos mais lidos. Nem considero auto ajuda literatura, então acho que ele não conta. O outro, adivinha? Auto ajuda também, do padre Marcelo Rossi! A gente anda consumindo muita auto ajuda, não? Talvez no teatro a coisa não vá tão mal, nem com a dança, mas eu não sei nada dessas artes, então não posso citar.

E quando meu país não me oferece quase nada em termos de cultura pra consumir o que eu faço? Corro pra onde eu posso ter alguma coisa! E qual o país que mais facilita esse tipo de coisa? Estados Unidos da América! Quem nunca viu Sessão da Tarde que atire a primeira pedra! Quem nunca viu Friends ou um filme arrasa quarteirão? Quem nunca leu um livro de autor americano? Me desculpem os que acham que eu sou americanizado porque consumo a cultura de lá, mas é o que dá pra fazer. Eu juro que não gosto de ferir a opinião de ninguém, mas feriram a minha e eu digo: a produção cultural brasileira é horrível.

Em que mundo uma música que tem como letra: "Eu não tenho carro/Não tenho teto/E se ficar comigo é porque gosta/do meu/rá rá rá rá rá rá rá/Lepo Lepo" ou "Não sou covarde, já tô pronta pro combate/Keep Calm e deixa de recalque/O meu sensor de periguete explodiu/Pega sua Inveja e vai pra... (Rala sua Mandada)" pode ser sucesso por várias semanas seguidas?! Sério? Não dá! Desculpem minha indignação, mas não podem chamar a mim ou quem decidiu não consumir esse lixo todo de não brasileiros. Quero consumir qualidade ora bolas e vou onde me derem isso!

Posso consumir qualquer coisa de qualquer lugar, não importa, desde que tenha qualidade. Pode ser da África, da Malásia, da Coréia, do Japão, da Venezuela, não importa. Consumo cultura americana porque é mais fácil, e digo, melhor que a brasileira, infelizmente é verdade. Mas não sou cego, critico quando tenho que criticar. A tv americana aberta, por exemplo, anda tão ruim quanto a brasileira. Não aparece nada de qualidade há algum tempo, com o cinema de Hollywood a mesma coisa. Em termos musicais também nada muito bom.

Enxergo um certo padrão, as pessoas dizem que eu sou velho pra minha idade, e eu concordo. Prefiro uma boa reflexão a uma balada, um rock'n roll a um samba, um livro a um 50 Tons de Cinza. Talvez isso explique porque eu goste tanto de músicas de 40, 50 anos atrás, filmes antigos, séries que já acabaram, livros escritos a dezenas de anos. Não só de produções americanas, mas nacionais também. Consigo citar uma infinidade de coisas boas daqui e de lá que já acabaram, do das que estão no ar agora.

Como eu gostava do antigo som dos Titãs, Cazuza, Renato Russo, Deijavan, Milton Nascimento, Chico Buarque, Lulu Santos, Rita Lee, Gonzaguinha, Simone, Sandra de Sá, Cássia Eller, Raul Seixas. E até de algumas novelas, Renascer, O Rei do Gado, Rainha da Sucata, O cravo e a Rosa, Chocolate com Pimenta. E de humor? Tínhamos programas do Chico Anísio e do Jô Soares. Tínhamos o Sai de Baixo e o Casseta e Planeta e a TV Pirata. E o que temos agora? Chiclete com Banana e Cláudia Leite? A nova novela dos ricos do Leblon em que nada acontece? Pânico na TV?

Não estou dizendo que não existe nada bom, existe, mas não faz sucesso. As pessoas não querem consumir nada muito bom ao que parece. Há uma infinidade de boas bandas brasileiras no mercado chamado de underground. Também há muitos bons autores por lá. A mesma coisa no mercado americano, mas o que eu quero mostrar é que lá a produção de coisas com qualidade ainda é maior do que aqui. E se aqui as coisas não andam muito bem eu vou pra onde eu consiga alimentar meu cérebro ao invés de deixá-lo atrofiado em nome de um nacionalismo cego.

E é esse nacionalismo cego que, ama tudo o que há no país, que não permite criticar o que precisa melhorar. Viver a realidade brasileira não significa alienar-se dentro do país, meter-se dentro de uma favela, saber detalhes de todos os assassinatos, escutar funk, ver faustão e novela das nove. É preciso deixar de achar que procurar por coisa de qualidade é mania de burguês, que quem lê é chique ou que quem gosta de estudar é cdf, isso é dever de todos nós. Fechar os olhos pros nossos problemas e colocar a culpa de tais mazelas nos EUA em Portugal e o escambal é se eximir da culpa, é típico de um povo terceiro mundista que acredita estar torcendo por seu país mas só contribui para afundá-lo mais.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Os melhores episódios de Buffy, a caça vampiros



Recentemente escrevi sobre Buffy, a caça vampiros aqui e aqui. Agora elenquei os melhores episódios, sob meu ponto de vista, de cada uma das sete temporadas da série. Ainda tenho a sensação de que deixei alguns pra trás.

1ª Temporada - A temporada é curtinha, então vou citar um episódio bem divertido: "O queridinho da professora" - 04x1, Xander se apaixona pela professora que é, na verdade, um inseto gigante à procura de um pai para seus ovos. Precisa falar mais alguma coisa?

2ª Temporada - É a melhor temporada da série, a carga emocional da segunda metade da temporada é incrível e difícil de ser vista por aí. São episódios sensacionais seguidos de episódios sensacionais. Apesar de ter um episódio duplo final maravilhoso o meu preferido é "Paixão" - 17x02, principalmente pelo final inesperado e chocante.

3ª Temporada - Não sei porque essa é a temporada que me passou mais despercebida, mas ainda assim é ótima. O final da temporada muda o rumo da série, mas não é tão bom quanto deveria ser, exceto pela despedida de um personagem importante. É possível destacar aqui o sexto episódio da temporada, "A banda do chocolate", em que todos os adultos viram adolescentes e vemos a mãe de Buffy se envolver românticamente com Giles, é hilário.

4ª Temporada - Foi uma das temporadas mais instáveis da série, faltou foco. Mas talvez, por causa dessa "liberdade" de criação seja a temporada que mais tem episódios incríveis. É difícil escolher um só, fico com "Silêncio" - 10x4, que é um dos mais famosos de toda a série, concorrendo inclusive a alguns prêmios na época em que foi exibido. Todos os personagens ficam mudos e são aterrorizados por umas criaturas bem horríveis. É nesse episódio que descobrimos que Buffy sabe assustar quando quer fazer terror de verdade. Não posso deixar de citar o último episódio dessa temporada. Mais parece uma obra de arte, meio insano, meio genial e ainda dá dicas do que aconteceria no último episódio da próxima temporada. Genial. Mas o meu preferido é o "Quem é você" - 16x5, em que Buffy e Faith trocam de corpos e vemos uma das cenas mais memoráveis da série: Faith no corpo de Buffy fazendo caras e bocas em frente aos espelho.


5ª Temporada - Uma das temporadas mais aclamadas pelos fãs, seria a última temporada da série se não tivesse sido salva de última hora por outro canal. Desse modo, o episódio final é perfeito, emocionante e conclui algumas histórias. Mas o melhor aqui, sem dúvidas, é "The Body" - 16x5. Qualquer pessoa no mundo deveria assistir, ele trata da morte de uma forma tão trivial, tão bela que é difícil não se emocionar. Eu chorei como um bebê. É o mais emocionante episódio de toda a série.

6ª Temporada - A sexta temporada traz uma discussão filosófica pesada e a primeira metade da temporada é bem carregada emocionalmente. A tensão só é extraída no sétimo episódio - "Mais uma vez, com sentimento" - o melhor musical de série que eu já vi até hoje na tv, pode acreditar, e ainda rendeu um cd com as músicas. Impossível não citar ainda "Vermelho de Raiva" - 19x06, que tem um final inesperado e dita os rumos do final da temporada.

7ª Temporada - A última temporada não conta com muitos episódios diferentes porque é a mais focada de todas. Gosto de "Garotas Sujas" - 19x07, é chocante porque muda a vida de um dos protagonistas de forma inesperada. Mas o meu escolhido é o último episódio, grande em todas as proporções.

Bom, com isso termino minha homenagem a essa que se tornou minha série preferida. E assim que terminar de ler esse livro aí em baixo comento por aqui.


Abaixo o melhor vídeo que já vi da série até hoje, e dublado.


Assistam e até a próxima!

domingo, 19 de janeiro de 2014

Sobre pessoas que se acham e pessoas humildes

Se tem um tipo de pessoa que eu detesto são as que se acham, as petulantes, donas da verdade e da razão. Suas verdades são sempre as únicas, e todo o resto carrega uma pitada de imbecilidade. Olham de cima de sua arrogância com desdém para todos os que habitam a terra dos coitados. São os pseudo-inteligentes ou pseudo-intelectuais, conhecedores de todas as coisas do mundo estão sempre a explicar alguma coisa, a corrigir os erros alheios, a dar dicas e opiniões.
Quando contrariados esses seres, donos da verdade, agem como se estivessem em um campo de batalha. Com poucos argumentos a seu favor se sentem ofendidos, ou melhor, agredidos e partem pra cima de seu oponente com violência e rancor, como se tivessem sido feridos. Cabe ao mortal do outro lado da briga abaixar a cabeça e ir embora. Quando tem a reação contrária, os sabe tudo, te dão um tapinha nas costas e vão embora, mas jamais admitem estar equivocados.
É possível identificar esses seres que se acham a última bolacha do pacote de várias formas.
*Pela forma que andam: geralmente são extremamente auto-confiantes uma vez que são profundos conhecedores da vida e não tem nada a perder. Andam como pavões, de uma forma meio exibida, meio confiante de mais.
*Pela forma de falar: essa variável costuma variar de criatura pra criatura, mas no geral falam com extrema propriedade sobre diversos assuntos, costumam analisar situações aparentemente banais transformando-as em verdadeiras teses de mestrado. Muitas vezes, gostam de explicar teorias e conceitos a respeito de assuntos que ninguém se importa, nesses casos, costumam usar um linguajar mais didático para que os pobres mortais compreendam ao menos o básico de toda a sua cultura. Por vezes, os sabe-tudo ainda são contestadores de quase toda convenção;
*Pelo que escrevem: seus textos são geralmente testamentos. Na maioria das vezes fazem uso de palavras difíceis para mostrar seu vasto vocabulário, utilizam exemplos da própria vida para mostrar seu ponto de vista e também exibir sua trajetória inspiradora de vivências inesgotáveis. O texto inteiro tem um ar meio superior como que se estivesse rindo de quem lesse. O texto pode ainda conter algum tipo de ironia e na maioria das vezes indica conselhos ao leitor, afinal, os que se acham, acham que suas opiniões são incríveis e devem ser seguidas a risca por todos. Muitas vezes esses seres ainda se vangloriam dizendo dispensar comentários contrários ao seu.
Humildade. Como aprecio essa palavra. Deveria ser pré-requisito a todos os seres humanos. Pessoas humildes são, em sua maioria, pessoas que respeitam os outros. Humildade requer respeito ao outro. Como admiro pessoas que são realmente inteligentes, e realmente sabem muito de quase tudo na vida e ainda assim são humildes. Essas pessoas deveriam ser exemplos, inspiração. Me pergunto, pra que cuspir na cara dos outros toda a sua sabedoria, inteligência, conhecimento?
E o que mais me enjoa é que essas pessoas, na maioria das vezes, não são tão vividas quantos as humildes. Na maioria das vezes esses sabe-tudo adquirem seu conhecimento cercado das paredes de sua casa, do conforto do seu dinheiro, do seu carro, dos seus livros. Quem são esses conhecedores de tudo se, se quer viveram experiências de verdade? Se nem se permitiram sair da bolha em que vivem?
Ninguém, repito, ninguém tem o direito de achar saber mais que os outros, de achar que tem mais cultura que os outros, que é mais esperto, mais letrado, mais inteligente, mais nada. Ninguém sabe da vida de ninguém, essa é a verdade. Ninguém tem o direito de julgar ninguém pela casca sem saber o conteúdo. Como dizia aquela música dos Titãs: “cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração”. Como achar-se melhor que alguém cujas experiências não se conhece?
As pessoas humildes não dão opiniões quando não solicitados, não palpitam sobre a sua vida ou suas escolhas quando bem entendem, não corrigem tudo o que você fala, não tem prazer em discordar de tudo ou quase tudo, não dissertam sobre teorias chatas e conceitos inúteis, não contam suas experiências como em uma competição, não analisam tudo e todos, não se sentem agredidas quando contrariadas ou indagadas de alguma coisa, não são exibidas, não são prepotentes e nem petulantes. Os sabe tudo são previsíveis, os humildes, surpreendentes.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Buffy, a caça vampiros

Adeus, Buffy
Há pouco mais de dez dias assisti, num misto de alegria e tristeza, a série que mais me marcou e que se manterá nessa posição pelo resto da minha vida: Buffy, a caça vampiros. Olho pra história, pra esses personagens e pra série com um carinho que sequer consigo descrever. Ao longo dos anos criei um laço tão forte com Buffy que agora, após terminá-la, sinto que uma importante parte de mim se foi.
Apesar de ter terminado de ver essa série com dez anos de atraso, passei a degustar cada uma das últimas três ou quatro temporadas com tanto cuidado que levei exatamente cinco anos pra terminá-la. Minha história com a série começou em 2008 quando a RedeTV a estreou nas tardes de domingo. Lembro-me de ter visto o anúncio, por acaso, no jornal de sábado e me lembrei de ter visto o filme algumas vezes na Sessão da Tarde.
O mais incrível é que havia gostado do filme, apesar de ter sido um fracasso retumbante de crítica e de público quando foi ar, no início da década de 90. Assisti ao primeiro episódio e fui fisgado logo de cara, passei a ver todos os episódios, todos os domingos. Ainda me lembro de trabalhar aos domingos na época – um trabalho bem exaustante por sinal – e me lembrar de que chegaria em casa pra assistir Buffy, deitado no sofá, era um alívio gigantesco.
Buffy continua após o final da série
Muitos devem concordar que a segunda temporada é uma das melhores da série – talvez a melhor – com uma sucessão de episódios geniais, um atrás do outro, a gente chega a ficar doido esperando o próximo. E nossa querida RedeTV, já mostrando sinais de sua seriedade com a programação, nunca exibiu os três últimos episódios dessa temporada. Lembro-me de ter ficado desesperado e inconformado a ponto de mandar emails mal criados para a emissora.
Minha relação com downloads não era nada boa na época, mas decidi passar por cima do meu medo de estar praticando pirataria e ser preso – sim, eu achava que um helicóptero da PF invadiria meu quarto pela janela e me levaria pra um interrogatório violento em Brasília – para ver os episódios. As demais temporadas decidi andar dentro da lei e adquirir os DVDs. E mais uma vez fiquei indignado ao saber que a dona FOX não lançou, e muito provavelmente nunca lançara, as duas últimas temporadas por aqui.
Por tudo isso posso dizer que foi Buffy a série que me fez entrar no mundo das séries de tv, que me fez encontrar os downloads, que me fez passar horas e horas pesquisando sobre ela na internet, que me fez gastar meu suado dinheiro em dvds. Buffy é muito mais que uma série sobre uma garota que caça vampiros, é uma série sobre sentimentos, conflitos, decepções, amores, desapontamentos e principalmente sobre amizade.
Nunca a tv fez um grupo de amigos ser tão real quanto em Buffy. Xander, Wilow, Buffy e Giles estarão pra sempre no imaginário de quem acompanhou a história porque representam nossos amigos, eles agem como nossos amigos, são como eles, aqueles amigos do peito mesmo, que você carrega pro resto da vida, aqueles que você faz no colégio e que ficam com você depois de adultos.
Buffy é uma grande série porque é sobre os conflitos e dilemas que enfrentamos todos os dias em nossas vidas. Buffy mata um demônio em cada episódio assim como nós temos que matar nossos demônios interiores e os demônios que a vida coloca em nossa frente todos os dias pra continuar caminhando. As vezes caimos, nos machucamos, mas nos recuperamos a com ajuda de quem nos ama e voltamos pra batalha sabendo que não será a última, mas apenas mais uma de tantas outras.
Buffy começa a história indignada por não poder ter uma vida normal e ter a responsabilidade de salvar o mundo. Quantos de nós já não nos sentimos assim? Quantos de nós não queríamos apenas viver por viver, deixar a vida nos levar, mas somos tomados por tantas outras responsabilidades? Quantos já não quisemos viver outra vida, ser outra pessoa, ouvir o que os outros pensam, amar sem haver amanhã ou simplesmente sumir do mapa, mudar de nome e esperar as coisas se resolverem sozinhas?
Buffy trata de tudo isso com uma peculiaridade e uma delicadeza difícies de serem vistos em uma série de tv aberta, principalmente teen. Buffy é uma série feita pra adolescentes, mas por sua sagacidade e inteligência destina-se a todos. Todos deveriam ver essa obra que metafora com a vida em cada um de seus vinte e dois episódios distribuídos em sete temporadas. Buffy trata da morte, da sexualidade, da eternidade, da felicidade, do céu e do inferno como ninguém. É uma série completa.

Fez um dos melhores episódios musicais da história, outro completamente mudo – talvez o mais aterrorizante de todos – matou sua protagonista duas vezes, levou-a ao inferno e ao paraíso, a fez matar o grande amor da sua vida e trazê-lo de volta, a fez enterrar sua mãe – o mais lindo episódio de todos – e a salvar o mundo. E assim como na vida Buffy terminou em silêncio, no meio de uma estrada, de um lado a finada cidade em que viveu durante esses sete anos e mudou sua vida, do outro um caminho, um destino qualquer. Uma bela analogia à nossa vida: quase sempre precisamos deixar alguma coisa pra trás e continuar seguindo em frente sem nem ao menos saber o que esperar ou como agir.
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A série terminou em 2003, mas há três anos ela retornou em HQ mostrando os acontecimentos posteriores ao final da série. A Panini chegou a lançar uma parte dos quadrinhos por aqui, mas cancelou pouco tempo depois. Nos EUA elas já vão pra terceira edição e é considerada um sucesso. Minha opinião pessoal? Não gostei muito, prefiro finalizar a série onde ela realmente terminou.
Preparei mais duas postagens sobre a série e vou postá-las nas próximas semanas.
Comprei um livro bastante interessante sobre Buffy e assim que terminar de lê-lo postarei por aqui também.